31.3.08

Da base da pirâmide a Web de massa

Para pensar:

O mercado da base da pirâmide cresce em países como China e Índia, que experimentam taxas excepcionais de crescimento econômico. Na América Latina e na Rússia também há aceleração por conta da melhoria nos indicadores de distribuição de renda.

Com o crescimento das economias emergentes, as novas classes médias estão sendo formadas exatamente pelos oriundos da base da pirâmide. Esse é o caso do Brasil.

Resultados de pesquisa recente da Interactive Advertising Bureau dão conta de que o mito de que a Internet é elitizada e acessada apenas pelas classes A e B foi por fio abaixo: 37% dos internautas brasileiros que acessaram a rede durante 2007 pertencem à classe C. E 13% são D e E.

Há quem diga que a Web já se consolidou como o segundo meio de comunicação de massa no Brasil, atrás apenas da televisão.

Por isso, entender os hábitos e atitudes desse novo segmento não é só importante, é urgente. Está ou não se configurando uma nova cultura de consumo na Internet? A resposta é sim. Não só de informação, mas de bens e serviços, com um novo perfil de usuários, tal qual o mercado físico experimenta.

Para saber mais, o tema é pauta da primeira edição de 2008 do newsletter da Data Popular, empresa especializada no mercado popular.


Ilustração: HSM Online


Bompreço investe no varejo eletrônico

No segundo semestre desse ano mais um gigante do varejo vai entrar na briga do comércio eletrônico brasileiro. O grupo Wal-Mart, controlador da rede Bompreço, se prepara para a empreitada, guardando a sete chaves sua estratégia e o valor do investimento.
Mas é bom lembrar que o Wal-Mart tem o maior faturamento em vendas eletrônicas nos Estados Unidos, disponibilizando roupas, artigos de bebê, produtos eletrônicos, jóias, CDs e serviços que incluem entrega de remédios e impressão de fotos digitais. Portanto, não vem pra brincar.

O grupo vem ao encontro de um mercado que não para de crescer: o varejo via internet no Brasil em 2007 expandiu 45%, movimentando R$ 6,4 bilhões. Mais dados na Gazeta Mercantil.
Se pensamos no PC, o principal meio de conexão, os números são ainda mais impressionantes: em 2006 e 2007, as vendas cresceram cerca de 30% ao ano em termos reais. No último ano, foram vendidos 10,7 milhões de unidades, mais PCs que televisores. Isso insere o computador pessoal como bem de consumo de massa, presente nos domicílios da classe C.

Bom, falando em classe C, é pra ela que o Wal-Mart caminha, pelo menos no mercado físico. Em 2008 o grupo pretende investir no Brasil 1,2 bilhão, grande parte voltada para os consumidores de baixa renda, que hoje representam menos de 10% no faturamento. O plano é mudar esse cenário em 10 anos. Será que tem espaço para formação de e-consumidores? Vamos aguardar...

Futebol, blogs e ética

Está no blog Futepoca. A Nike criou um site sobre a "recuperação" do seu patrocinado Ronalducho, que fez uma cirurgia no tendão do joelho esquerdo. Até aí tá tudo certo. Mas resolveu usar uma estratégia de marketing viral junto aos blogueiros, para divulgação do site, através de uma empresa especializada em "estratégias para mídias sociais". Gritaria geral. Pra uns, é claro, que entendem a abordagem como uma tentativa de compra de conteúdo. Outros, entendem como uma ação de "marketing" comum e ficaram bem felizes em estabelecer parceria com a Nike, mesmo que futura. Sim, porque o e-mail de "instruções" encaminhado pela empresa de viralização propõe um Post-Piloto! É isso aí: "se der resultado, a gente volta a conversar".

Em campo, mais uma vez, a discussão ética que permeia o mundo dos blogs, recheada de perguntas: Por seu caráter "amador", blog é espaço jornalístico? Blog feito por não-jornalistas é blog jornalístico? Os blogueiros não-jornalistas estão livres do compromisso ético de preservar o conteúdo? Marketing viral não é uma ação legítima na Internet em outros modelos de interação, por que os blogs ficariam de fora? Os meios convencionais não usam a mesma prerrogativa ao "publicizarem" seus conteúdos com cadernos especiais (produzidos por jornalistas, sim), merchandising e afins? Será que tudo não é uma questão de criação de princípios, de normatização? Confesso que tenho dúvidas sobre muitas dessas questões. Mas também acho que "tudo demais é sobra".