12.8.12

Um rei nu para um reino afundado

Imagem extraída do blog do Roberto Leite

Menos de dois meses para as eleições municipais. E a cada dia aumentam minhas elucubrações sobre os critérios para o meu voto a prefeito de Soterópolis. Sim, meus princípios políticos, a esta altura da vida me impedem de votar em branco ou nulo.
Entretanto, talvez este seja o primeiro dos tantos pleitos majoritários que não asseguro de primeira o que desejo. Porque o que desejo está longe de questões ideológico-partidárias que garantiram meu voto outrora. Ou de apostas em planos e propostas concretas e revolucionárias, de continuidade ou contraposição. Ou da confiança em pessoas de caráter e capacidade administrativa na área pública inquestionáveis.
O que desejo agora é um prefeito capaz de tirar Salvador do fundo do poço, que parece não ter fundo. Peço muito? Hoje, "guardada" na cafeteria de um cinema, conversava sobre como viver a cidade tornou-se difícil. Eu, que fazia programa de turista em meu cotidiano me sinto numa ilha, onde não é seguro nem possível usar e compartilhar serviços e equipamentos públicos. Vivemos imobilizados e órfãos. Isso não foi só incompetência de gestão. Foi desamor.
Por isso, após o primeiro debate televisivo resolvi adotar como critério principal de escolha o amor à cidade. Deixei o pragmatismo de lado e me rendi ao romantismo. Votaria naquele que, pelo menos, demonstrasse uma paixão absoluta a ponto de me fazer crer que iria dedicar-se incondicionalmente para possibilitar aos munícipes o resgate da auto-estima, no poço junto com a cidade.
Então vou acompanhando os candidatos: suas agendas, suas posturas, seus discursos, suas ações espontâneas ou roteirizadas e o critério, assim, vai evoluindo para as eliminações. Há prerrogativas: o capital político, os apoiadores e mentores (diz-me com quem andas e eu te direi quem és...), uma certa "garantia" de autonomia administrativa e, por que não dizer, parecer ter colhões.
Ontem, compartilhando essa angústia do meu compromisso político com um ex-militante de esquerda, combatente da ditadura e com uma história de crenças políticas muito parecida com a minha, ele me lançou um novo critério: "penso em votar em um candidato que não se permita errar". Gelei. Ele tem razão e isso agora também faz parte das minhas elucubrações que, de uma só guilhotinada, já cortou duas cabeças na lista dos prefeituráveis, em minha opinião. Uma dessas com o agravante de não transmitir credibilidade na seriedade que tenta impetrar aos seus propósitos e, principalmente, por ter caráter duvidoso, de desrespeito a seus pares. E uma terceira cabeça nem entrou na lista pelo precedente de demagogia crônica. E uma quarta, por me parecer absolutamente inverossímil, um chiste, uma piada.
Logo, de eliminação em eliminação, vejam só a que ponto cheguei: tenho apenas dois candidatos votáveis, dos seis lançados. Acho triste. Triste a falta de opção pela falta de convicção. Triste ter que quebrar a cabeça para encontrar um fio de esperança em um gestor que possa salvar a cidade, em desgraça e, ainda ter firmeza para planeja-la como metrópole que é. E não como província, que parece ser. Vamos ver, no tempo que sobra, o que vem por aí.

Um comentário:

Virgínia Paschoal disse...

Muito lúcido, o seu texto. Abs.