2.2.10

No banheiro


Ontem à noite na primeira oficina da séria "Língua Solta", promovida pela agência baiana Engenhonovo aos alunos de Jornalismo, Produção Cultural e Publicidade, o publicitário Márcio Viana, sócio-diretor da Plural Comunicação mostrou vários cases interessantes sobre formatos inusitados de peças de comunicação às quais não podemos definir como "publicitárias" ou "promocionais".
Na verdade sempre defendi os conceitos de comunicação integrada e cultura de planejamento criativo para inserir uma boa idéia - persuasiva, sim - num mesmo guarda-chuva e impactar o consumidor.
Mas o que chamou a atenção - e Márcio brincou muito com isso - foi o número de peças criadas para o banheiro. Para marcas e produtos afins ou não. O fato é que o momento do uso do banheiro talvez seja um momento de concentração especial ou, na linguagem do Marketing Promocional, de pegar o potencial consumidor "desarmado". Oooops...
Bom, resolvi contribuir para a série "No banheiro" com este filme genial em animação, da TBWA de Paris, de combate a Aids na defesa do uso do preservativo, produzido para o Aides Date.
Divertido, que usa o banheiro como cenário e dá o seu recado muito bem. Divirtam-se e previnam-se.

24.1.10

Atitude contra a dengue




Bacana o filme da agência Tempo para a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para o combate à dengue. Já comentei aqui sobre campanhas publicitárias de interesse público, em especial as que precisam da participação ou ação da população. Vejam o post com o vídeo do professor Eduardo Camilo, da Universidade da Beira Interior, Portugal.
Penso que essas campanhas são sempre muito cautelosas, muito comedidas ao corresponsabilizarem o público pela falta de ação e consequente resultado. Sobretudo o dos números dos casos de dengue no país, crescentes a cada ano. Na Bahia, então, nem se fala.
Esse filme fica no meio do caminho. O conceito de comandar a "Atitude" para o público é bem assertivo. Mas falta força. A atriz Tânia Toko, a Neusão do filme e série Ó Paí, ó faria bem -  e deveria - o papel mais impositivo, mais imperativo, que é necessário.
Ao contrário da performance da sua personagem na tela, ela é só sorriso. Tá maneira demais. As imagens limpinhas, tudo muito arrumado. Tudo no segundo tempo da Atitude do cidadão em fazer o papel dele em casa e na sua comunidade.
Ok. Podem dizer que todo mundo já sabe o que tem que ser feito. Mas nem todos sabem quantos morrem a cada ano e nem conviveram de perto com o contágio, tão fácil de ser evitado.
Mas não nego que é um bom ensaio. O texto fala em morte, o que já é um avanço. Mesmo com Tânia toda sorridente. Mas fala. E isso é importante. E, ainda, o infame trocadilho: "quem tem que morrer é o mosquito, não você", ou coisa parecida. Tá valendo.

16.12.09

Uso de suportes digitais incrementa cultura na periferia


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Vídeo Player by Kaltura Entrevista: Gabriela Agustini.

Acabo de ler (com atraso) a edição de novembro da revista Época Negócios comprada na livraria por conta da reportagem de capa: A classe média que você precisa conhecer.
O conteúdo descreve uma experiência de imersão dos repórteres Marcos Todeschini e Alexa Salomão durante quatro meses na periferia de São Paulo, convivendo com famílias da Classe C.
O retrato é uma quebra de diversos paradigmas. A nova classe média, cerca de 30 milhões de brasileiros e que, em 2009 será responsável por R$ 620 bilhões em compras, segundo as pesquisas qualitativas  apresentou os seguintes hábitos: prefere o custo-benenfício ao preço baixo; guarda dinheiro para o lazer, priorizando as viagens pelo Brasil; não arrisca a inadimplência; é feliz na comunidade onde vive e está conectada à Internet, usando as lan houses como ponto de encontro e sociabilização.
No Twitter, me deparo com a dica de uma entrevista em vídeo de Heloisa Buarque de Hollanda, que disponibilizo neste post, realizada durante o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira onde a pesquisadora, que trabalha com cultura de periferia e cultura digital vai ao encontro das conclusões da revista e fala do papel da Internet em proporcionar espaço para o discurso da periferia.
Heloísa, diretora do Portal Literal e professora da teoria crítica da cultura da UFRJ, aponta que as duas culturas - digital e da periferia - se cruzam positivamente, estabelecendo um novo tipo de comportamento, associado ao entretenimento e às redes sociais.
 A Internet está fomentando a leitura e ampliando a visibilidade para as comunidades através de blogs, por exemplo, que documentam histórias reais, cotidianas, sustentadas pelos vídeos, fotos e textos postados pelas próprias comunidades.
Do mesmo modo que observado pelos jornalistas da Época, o fenômeno das lan houses é citado por Heloísa. "A lan house é um ponto de convivência muito importante", diz.
As conclusões da reportagem da Época Negócios e a entrevista de Heloísa Buarque de Hollanda convergem para o mesmo ponto que tenho dito por aqui. O consumo no Brasil, decididamente, mudou de mãos.
E a Internet e outros suportes digitais dão impulso a hábitos das classes populares dentro do especto social anteriormente inatingíveis, como o da leitura. E isso é muito bom.