Grande ideia para caminhar pelo universo da música erudita do Brasil através de dispositivos móveis.
Blog de comunicação online e offline. Comportamento de consumo de mídia, conteúdos, linguagens e interações.
30.3.14
26.10.12
Quando Domingo Chegar...
Chico Buarque de Hollanda é blindado a paródias, comparações, analogias. Mas não pude deixar de lembrar da letra de Quando o Carnaval chegar ao me deparar, nos últimos dias, com situações pra lá de tensas entre "amigos" do Facebook por conta das preferências ou intenções, eu diria, para este pleito eleitoral em Soterópolis.
A cortesia, a "amizade", a cumplicidade, a educação e a etiqueta que fazem da rede uma rede social de pares com afinidades culturais, pessoais, profissionais, de mútua compreensão e "ouvidos" atentos aos demais, esfacelaram-se.
Li discussões públicas e acaloradas, não daquelas que amigos de torcidas de futebol, de mesas de bar, de encontros casuais em padarias, botequins e babas de praia praticam no dia a dia. O que li foram ofensas pessoais, defesas a seus candidatos a prefeito repletas de ironia e sarcasmo, xingamentos e até, para minha absoluta surpresa, ex-pares e companheiros de lutas e práticas políticas desrespeitarem e desconsiderarem anos a fio de grandes amizades e companheirismo.
O que ficará, então, depois que o domingo chegar? E passar?
- Olá, como vai, querida (o), vamos ali tomar uma, que tal um cinema, um pagodinho, um baba, uma praiazinha?
No que que cabe a mim neste rol de ofendidos (e aproveito para me desculpar se, por acaso, ofendi a alguém) ou, minimamente, surpresos e sensibilizados restará a saída pela tangente.
Entro sim, numa boa discussão e demoro a sair. Uso e sempre usarei uma rede pessoal na internet para expor pontos de vista e provocar mesmo a discordância e a polêmica. Me entendo como uma cidadã política e não vejo nada demais em exercer publicamente este papel. Compartilhei angústia, decepção, desalento, expus minhas motivações para dúvidas das escolhas e medidas e sempre esperei, não um confronto, mas o convencimento do contrário.
Que tive, em alguns momentos. Tive bons embates que me trouxeram mais dúvidas ou mais reiterações de impressões. Sequer revelei publicamente meu voto nem fiz campanha, uma vez que optei (e novamente assim será no domingo, pelo voto de exclusão).
Nunca me referi a ninguém, publicamente, a não ser aos próprios candidatos ou ao mainstream que os exaltava ou esculachava.
Por isso acho, mesmo, imperdoável, que um comentário que contraria uma defesa escrachadamente interessada seja desrespeitado com citações nominais e, a partir delas, descambe em ofensas pessoais. E, quando digo, pessoais, digo muito, mas muito pessoais. Daquelas que ofendem pessoas com quem compartilhamos offline toda uma vida e que, no meio da baixaria, deixam de lado o fato de que lhe conhecem para além de uma lista de comentários compartilhados.
Os candidatos que disputarão domingo as eleições para Prefeito de Salvador valem isso? Suas propostas para tirar esta cidade da lama (que é, no fundo, o que a maioria de nós quer) são, de fato, soluções nas quais podemos crer? Seus conchavos, seus financiadores, seus apoiadores, suas máquinas de fazer dinheiro e mobilização, seus argumentos merecem a nossa insônia e a nossa falta de bom senso para comprometer amizades, sejam estas superficiais ou, até então, inigualáveis?
Neste caldeirão de sentimentos e ressentimentos, o que é de verdade vai ficar, por incrível que pareça, pelo silêncio.
Tenho um grande amigo defensor de causas e pessoas com as quais me decepcionei, de crenças nas quais não mais acredito. Mas, em momento algum, trocamos sequer uma palavra sobre o assunto. Porque não haveria consenso. O nosso respeito ao outro, dando espaço para cada um na rede e na rua, o nosso carinho, o nosso afeto é enormemente maior do que um possível sacolejo na nossa relação. Por isso, depois que domingo passar, é com ele que eu irei, para o resto de nossas vidas, ao cinema, como sempre fizemos. Vida que segue.
A cortesia, a "amizade", a cumplicidade, a educação e a etiqueta que fazem da rede uma rede social de pares com afinidades culturais, pessoais, profissionais, de mútua compreensão e "ouvidos" atentos aos demais, esfacelaram-se.
Li discussões públicas e acaloradas, não daquelas que amigos de torcidas de futebol, de mesas de bar, de encontros casuais em padarias, botequins e babas de praia praticam no dia a dia. O que li foram ofensas pessoais, defesas a seus candidatos a prefeito repletas de ironia e sarcasmo, xingamentos e até, para minha absoluta surpresa, ex-pares e companheiros de lutas e práticas políticas desrespeitarem e desconsiderarem anos a fio de grandes amizades e companheirismo.
O que ficará, então, depois que o domingo chegar? E passar?
- Olá, como vai, querida (o), vamos ali tomar uma, que tal um cinema, um pagodinho, um baba, uma praiazinha?
No que que cabe a mim neste rol de ofendidos (e aproveito para me desculpar se, por acaso, ofendi a alguém) ou, minimamente, surpresos e sensibilizados restará a saída pela tangente.
Entro sim, numa boa discussão e demoro a sair. Uso e sempre usarei uma rede pessoal na internet para expor pontos de vista e provocar mesmo a discordância e a polêmica. Me entendo como uma cidadã política e não vejo nada demais em exercer publicamente este papel. Compartilhei angústia, decepção, desalento, expus minhas motivações para dúvidas das escolhas e medidas e sempre esperei, não um confronto, mas o convencimento do contrário.
Que tive, em alguns momentos. Tive bons embates que me trouxeram mais dúvidas ou mais reiterações de impressões. Sequer revelei publicamente meu voto nem fiz campanha, uma vez que optei (e novamente assim será no domingo, pelo voto de exclusão).
Nunca me referi a ninguém, publicamente, a não ser aos próprios candidatos ou ao mainstream que os exaltava ou esculachava.
Por isso acho, mesmo, imperdoável, que um comentário que contraria uma defesa escrachadamente interessada seja desrespeitado com citações nominais e, a partir delas, descambe em ofensas pessoais. E, quando digo, pessoais, digo muito, mas muito pessoais. Daquelas que ofendem pessoas com quem compartilhamos offline toda uma vida e que, no meio da baixaria, deixam de lado o fato de que lhe conhecem para além de uma lista de comentários compartilhados.
Os candidatos que disputarão domingo as eleições para Prefeito de Salvador valem isso? Suas propostas para tirar esta cidade da lama (que é, no fundo, o que a maioria de nós quer) são, de fato, soluções nas quais podemos crer? Seus conchavos, seus financiadores, seus apoiadores, suas máquinas de fazer dinheiro e mobilização, seus argumentos merecem a nossa insônia e a nossa falta de bom senso para comprometer amizades, sejam estas superficiais ou, até então, inigualáveis?
Neste caldeirão de sentimentos e ressentimentos, o que é de verdade vai ficar, por incrível que pareça, pelo silêncio.
Tenho um grande amigo defensor de causas e pessoas com as quais me decepcionei, de crenças nas quais não mais acredito. Mas, em momento algum, trocamos sequer uma palavra sobre o assunto. Porque não haveria consenso. O nosso respeito ao outro, dando espaço para cada um na rede e na rua, o nosso carinho, o nosso afeto é enormemente maior do que um possível sacolejo na nossa relação. Por isso, depois que domingo passar, é com ele que eu irei, para o resto de nossas vidas, ao cinema, como sempre fizemos. Vida que segue.
12.8.12
Um rei nu para um reino afundado
Imagem extraída do blog do Roberto Leite
Menos de dois meses para as eleições municipais. E a cada dia aumentam minhas elucubrações sobre os critérios para o meu voto a prefeito de Soterópolis. Sim, meus princípios políticos, a esta altura da vida me impedem de votar em branco ou nulo.
Entretanto, talvez este seja o primeiro dos tantos pleitos majoritários que não asseguro de primeira o que desejo. Porque o que desejo está longe de questões ideológico-partidárias que garantiram meu voto outrora. Ou de apostas em planos e propostas concretas e revolucionárias, de continuidade ou contraposição. Ou da confiança em pessoas de caráter e capacidade administrativa na área pública inquestionáveis.
O que desejo agora é um prefeito capaz de tirar Salvador do fundo do poço, que parece não ter fundo. Peço muito? Hoje, "guardada" na cafeteria de um cinema, conversava sobre como viver a cidade tornou-se difícil. Eu, que fazia programa de turista em meu cotidiano me sinto numa ilha, onde não é seguro nem possível usar e compartilhar serviços e equipamentos públicos. Vivemos imobilizados e órfãos. Isso não foi só incompetência de gestão. Foi desamor.
Por isso, após o primeiro debate televisivo resolvi adotar como critério principal de escolha o amor à cidade. Deixei o pragmatismo de lado e me rendi ao romantismo. Votaria naquele que, pelo menos, demonstrasse uma paixão absoluta a ponto de me fazer crer que iria dedicar-se incondicionalmente para possibilitar aos munícipes o resgate da auto-estima, no poço junto com a cidade.
Então vou acompanhando os candidatos: suas agendas, suas posturas, seus discursos, suas ações espontâneas ou roteirizadas e o critério, assim, vai evoluindo para as eliminações. Há prerrogativas: o capital político, os apoiadores e mentores (diz-me com quem andas e eu te direi quem és...), uma certa "garantia" de autonomia administrativa e, por que não dizer, parecer ter colhões.
Ontem, compartilhando essa angústia do meu compromisso político com um ex-militante de esquerda, combatente da ditadura e com uma história de crenças políticas muito parecida com a minha, ele me lançou um novo critério: "penso em votar em um candidato que não se permita errar". Gelei. Ele tem razão e isso agora também faz parte das minhas elucubrações que, de uma só guilhotinada, já cortou duas cabeças na lista dos prefeituráveis, em minha opinião. Uma dessas com o agravante de não transmitir credibilidade na seriedade que tenta impetrar aos seus propósitos e, principalmente, por ter caráter duvidoso, de desrespeito a seus pares. E uma terceira cabeça nem entrou na lista pelo precedente de demagogia crônica. E uma quarta, por me parecer absolutamente inverossímil, um chiste, uma piada.
Logo, de eliminação em eliminação, vejam só a que ponto cheguei: tenho apenas dois candidatos votáveis, dos seis lançados. Acho triste. Triste a falta de opção pela falta de convicção. Triste ter que quebrar a cabeça para encontrar um fio de esperança em um gestor que possa salvar a cidade, em desgraça e, ainda ter firmeza para planeja-la como metrópole que é. E não como província, que parece ser. Vamos ver, no tempo que sobra, o que vem por aí.
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